
Antes de mais, é importante distinguir conceitos.
Dependência implica:
• Necessidade compulsiva de consumir uma substância
• Perda de controlo sobre o uso
• Tolerância (necessidade de doses crescentes)
• Sintomas de abstinência significativos
• Continuação do consumo apesar de consequências negativas
Nem todos os medicamentos que exigem desmame gradual causam dependência no sentido clínico.
Os antidepressivos (como ISRS e IRSN) não causam dependência no sentido clássico.
Não provocam:
• Euforia
• Comportamento aditivo
• Procura compulsiva
Podem, no entanto, causar sintomas de descontinuação se forem interrompidos
abruptamente, como:
• Tonturas
• Irritabilidade
• Sensação de choque elétrico
• Alterações do sono
Estes sintomas não significam dependência. Significam que o cérebro precisa de tempo para se reajustar. Por isso, a suspensão deve ser sempre gradual e orientada por um psiquiatra.
Alguns ansiolíticos, especialmente benzodiazepinas (como alprazolam, diazepam, lorazepam), podem causar dependência quando utilizados:
• Em doses elevadas
• Durante períodos prolongados
• Sem acompanhamento rigoroso
Nestes casos pode surgir tolerância e necessidade de aumento de dose.
Por isso, as benzodiazepinas são geralmente prescritas:
• Em curto prazo
• Para crises agudas
• Como complemento temporário
O risco existe, mas é controlável com acompanhamento médico adequado.

Estabilizadores de humor e antipsicóticos causam dependência?
Estabilizadores de humor e antipsicóticos não causam dependência aditiva.
São utilizados em quadros como:
• Perturbação bipolar
• Esquizofrenia
• Perturbações psicóticas
• Depressão resistente
A sua interrupção abrupta pode levar à recaída, mas isso não é dependência, é necessidade terapêutica.
Porque existe tanto medo da
medicação psiquiátrica?
O estigma em torno da saúde mental ainda é forte. Muitas crenças comuns incluem:
- Se começar nunca mais paro.”
- “Vou ficar dependente.”
- “A medicação muda a personalidade.”
- “Só pessoas fracas precisam.”
Na realidade, a medicação é uma ferramenta clínica. Tal como a medicação para hipertensão ou diabetes, pode ser necessária por um período específico ou prolongado, dependendo do diagnóstico.
Quando é que a medicação
é recomendada?
A decisão depende de vários fatores:
• Gravidade dos sintomas
• Impacto no funcionamento diário
• Risco associado (ideação suicida, incapacidade funcional)
• Histórico de recaídas
• Preferência informada da pessoa
Em muitos casos, a combinação de psicoterapia e medicação apresenta melhores resultados do que qualquer abordagem isolada.
Medicação psiquiátrica causa dependência ou cria estabilidade?
É importante reformular a pergunta.
Em muitos casos, a medicação não cria dependência, mas cria estabilidade neuroquímica suficiente para que a pessoa consiga:
• Dormir melhor
• Reduzir ansiedade
• Recuperar energia
• Trabalhar emoções em psicoterapia
• Retomar funcionalidade
A dependência é diferente de tratamento adequado.
Como reduzir riscos?
Alguns princípios fundamentais:
• Nunca iniciar ou interromper medicação sem avaliação psiquiátrica
• Seguir rigorosamente as indicações
• Manter acompanhamento regular
• Comunicar efeitos secundários
• Evitar automedicação
Então, a medicação psiquiátrica causa dependência?
Depende do tipo de fármaco.
A maioria dos antidepressivos, estabilizadores e antipsicóticos não causa dependência aditiva.
Alguns ansiolíticos podem causar, se mal utilizados. O mais importante é que qualquer tratamento seja individualizado, acompanhado e revisto ao longo do tempo.
Na Clínica Tear, a avaliação é feita de forma cuidadosa, ponderando riscos, benefícios e necessidade, para que a medicação seja uma ferramenta de cuidado e não um motivo de medo.













