
Por que surgem tantos medos
A gravidez representa uma mudança profunda: corporal, emocional, identitária e relacional.
Há uma transição psicológica importante: deixar de ser apenas “eu” para passar a ser também responsável por outro ser humano.
Durante este período, é comum surgirem:
- Medo de falhar
- Medo de repetir padrões familiares
- Medo de não corresponder às expectativas
- Medo de não saber cuidar
- Medo de perder a própria identidade
O cérebro entra num estado de hipervigilância emocional, tentando antecipar riscos e proteger o futuro bebé.
“E se não for uma boa mãe?” - o medo mais frequente
Este pensamento é um dos mais comuns na gravidez.
E, paradoxalmente, é um bom sinal.
Quem se questiona se será uma boa mãe demonstra:
- Capacidade de reflexão
- Preocupação com o bem-estar do bebé
- Desejo de cuidar e proteger
Pessoas emocionalmente negligentes raramente se colocam esta pergunta.
Gravidez e ansiedade antecipatória
Os medos do futuro estão muitas vezes ligados à ansiedade antecipatória: a tendência para imaginar cenários negativos antes de eles acontecerem.
Durante a gravidez, esta ansiedade pode manifestar-se através de:
- Pensamentos repetitivos sobre o futuro
- Necessidade de controlo excessivo
- Dificuldade em relaxar
- Culpa por não se sentir “radiante”
- Comparações com outras mães

O peso das expectativas sociais
A ideia de “boa mãe” é frequentemente irrealista e pesada:
- Sempre paciente
- Sempre disponível
- Sempre feliz
- Sempre certa
Estas expectativas ignoram a realidade emocional da maternidade e aumentam o medo de falhar.
A maternidade real envolve:
- Cansaço
- Ambivalência emocional
- Dúvidas
- Aprendizagem contínua
E tudo isso é normal.
O que realmente importa
Mais do que perfeição, o que constrói um vínculo seguro é:
- Presença emocional
- Capacidade de reparar erros
- Disponibilidade para aprender
- Afeto consistente
Nenhuma mãe acerta sempre.
O que faz a diferença é a capacidade de reconhecer, ajustar e cuidar também de si.
Quando os medos se tornam excessivos
É importante procurar apoio se:
- Os pensamentos são constantes e intrusivos
- Há dificuldade em dormir ou descansar
- O medo impede de desfrutar da gravidez
- Surge ansiedade intensa ou tristeza persistente
- Existe historial de ansiedade, depressão ou trauma
A intervenção psicológica na gravidez ajuda a:
- Regular a ansiedade
- Trabalhar medos do futuro
- Fortalecer a confiança interna
- Preparar emocionalmente a transição para a maternidade
Cuidar da saúde mental também
é cuidar do bebé
A saúde emocional da mãe influencia diretamente:
- O vínculo com o bebé
- A adaptação ao pós-parto
- O risco de depressão pós-parto
- A qualidade da relação consigo própria
A maternidade não começa com respostas prontas, mas com perguntas honestas.
E ninguém precisa de atravessar este processo sozinha.
Na Clínica Tear, há espaço para falar dos medos, das dúvidas e do futuro: sem julgamento, com ciência e com cuidado.













