
Sabotar uma relação não é, na maioria das vezes, um ato consciente. Trata-se de comportamentos automáticos que surgem como forma de proteção emocional, mas que acabam por minar a intimidade, a confiança e a estabilidade do vínculo.
Estes comportamentos estão frequentemente associados a:
- Medo de abandono
- Dificuldade em confiar
- Experiências relacionais passadas dolorosas
- Baixa autoestima
- Estilos de vinculação inseguros
Ou seja, a sabotagem nasce do medo, e não da falta de sentimento.
Como saber se estou a sabotar
1. Criar conflitos quando tudo parece estar bem
Quando a relação entra numa fase tranquila, surge inquietação, irritabilidade ou necessidade de “testar” o outro. Este padrão pode indicar dificuldade em tolerar segurança emocional.
2. Afastar-se quando se sente mais próximo(a)
Quanto maior a intimidade, maior a vontade de se fechar, evitar conversas
ou reduzir contacto.
3. Interpretar tudo como rejeição
Pequenos comportamentos do(a) parceiro(a) são vividos como prova de desinteresse, levando a reações defensivas ou acusações. Este sinal é frequente em pessoas com feridas de abandono.
4. Necessidade constante de validação
Procurar garantias contínuas de amor, lealdade ou compromisso pode gerar exaustão emocional na relação. A sabotagem surge quando a relação passa a ser usada para regular inseguranças internas.
5. Evitar conversas importantes
Adiar diálogos difíceis por medo de conflito pode parecer proteção, mas acaba por criar ressentimento e distância. O silêncio repetido também é uma forma de sabotagem.
6. Idealizar a relação… e depois desvalorizar
Alternar entre idealizar o(a) parceiro(a) e, depois, criticá-lo(a) intensamente pode indicar dificuldade em lidar com a imperfeição e com a realidade do vínculo.
Por que é que estes padrões surgem?
Muitas pessoas que se perguntam como saber se estou a sabotar a minha relação cresceram em contextos onde:
- O amor era instável ou condicionado
- As emoções não eram validadas
- O conflito era vivido como ameaça
- A proximidade vinha acompanhada de dor
O cérebro aprende a associar vínculo a perigo.
Na idade adulta, tenta proteger-se mesmo que isso signifique destruir aquilo que deseja.

Consequências da sabotagem relacional
Se não for reconhecida, a sabotagem pode levar a:
- Relações instáveis e repetitivas
- Sensação de solidão mesmo acompanhado(a)
- Culpa e autoacusação após o término
- Confirmação da crença “as relações não resultam”
O que pode ajudar a interromper
este ciclo?
1. Tomar consciência dos padrões
O primeiro passo é reconhecer que o problema não está apenas no outro, mas na dinâmica criada.
2. Diferenciar passado de presente
Nem todas as relações são iguais. O corpo reage como se estivesse a reviver algo antigo,
mas o contexto atual pode ser diferente.
3. Aprender a regular emoções
Antes de reagir, é essencial aprender a pausar, identificar o medo subjacente e
expressá-lo de forma saudável.
4. Psicoterapia focada em vinculação
A terapia ajuda a:
- Identificar padrões inconscientes
- Trabalhar feridas emocionais antigas
- Desenvolver segurança interna
- Construir formas mais saudáveis de se relacionar
Perguntar-se como saber se estou a sabotar a minha relação é sinal de maturidade emocional.
A sabotagem não define quem a pessoa é, mas define estratégias antigas que já não servem.
Com consciência, apoio e trabalho emocional, é possível construir relações mais seguras, estáveis e verdadeiras.
Na Clínica Tear, ajudamos a transformar padrões de medo em vínculos de confiança.













